Fernando Campos falou sobre a obra durante Tribuna Livre na sessão; textos refletem temas como representação política e participação cidadã
Na sessão ordinária desta segunda-feira, 22 de junho, durante da Tribuna Livre, o servidor da Câmara Municipal de Limeira Fernando Campos apresentou o livro “O regime representativo e a democracia”, obra de sua autoria publicada há dois meses. O escritor defende que a qualidade da representação depende não apenas das instituições e das leis, mas também da autonomia dos cidadãos e de sua capacidade de participação política.
Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara (SP) e mestre pela instituição em Marília (SP), Fernando atua há 15 anos no Legislativo limeirense como Analista Técnico Administrativo e também já exerceu atividades como pesquisador e professor universitário. No livro, ele aborda os impactos da desigualdade social sobre o exercício da cidadania e discute mecanismos que podem aproximar representantes e representados, como instrumentos de participação popular direta.
Para conhecer mais sobre “O regime representativo e a democracia”, o processo de elaboração e as reflexões propostas pelo autor, confira a entrevista a seguir:
1. Como surgiu a ideia de transformar esse tema em um livro?
Para responder a essa pergunta, preciso mencionar algo pessoal. Em determinado momento, adoeci e precisei me afastar do trabalho por mais de um semestre, em razão de uma depressão severa. A ideia de retomar projetos inacabados como parte de um movimento terapêutico surgiu de uma das minhas terapeutas.
Entre esses projetos estava a reescrita da minha dissertação de mestrado, com o objetivo de torná-la menos acadêmica e mais acessível a um público mais amplo. Foi a partir desse processo que o livro nasceu. Reescrevi o trabalho e o publiquei há pouco mais de dois meses.
Ocupar a Tribuna Livre para falar sobre a obra foi o primeiro passo de sua divulgação, que, espero, ainda contará com outras iniciativas.
2. Quanto tempo levou o processo de escrita e publicação?
O texto foi elaborado ao longo de aproximadamente dois anos. Naturalmente, antes disso, eu já havia tido contato com a literatura da área durante os anos de pesquisa e formação acadêmica.
Quanto à publicação, posso dizer que se trata de um processo razoavelmente demorado, pois envolve o contato sucessivo com diversos profissionais: o setor financeiro, para tratar dos custos; o jurídico, para as definições contratuais; os diagramadores; o capista; o revisor; e a equipe de marketing.
Depois de passar por todas essas etapas, posso dizer que fiquei muito satisfeito com o produto final.
3. Como descreveria o livro para alguém que ainda não conhece a obra?
O livro trata de alguns aspectos da relação entre representação política e democracia. A pergunta de que parti foi a seguinte: como um regime representativo pode avançar no sentido da democratização?
De maneira mais abstrata, a resposta é que esse avanço ocorre quando melhora a ligação entre representantes e representados. Essa resposta mais ampla nos leva a examinar aquilo que, no cotidiano da política, bloqueia ou favorece tal aproximação.
Ao longo da obra, procurei mostrar que há aprimoramentos possíveis no plano institucional, especialmente nos sistemas eleitoral e partidário, na forma de organização do regime político e na permeabilidade das instituições à participação popular.
Também há aprimoramentos de ordem social, ligados à autonomização de eleitores e candidatos. Nesse campo, muitas estratégias são possíveis, mas elas podem ser condensadas em dois grandes conjuntos: a diminuição das condições de dependência de parcelas da população e o fortalecimento da educação política, de modo a tornar a informação e o conhecimento mais acessíveis.
4. Que reflexão espera despertar nos leitores?
Espero que o livro contribua para aqueles que desejam compreender melhor a política brasileira e a participação popular. Também espero que ele se some aos esforços de todos os que atuam na defesa da democracia.
Sem uma defesa contínua, as decisões políticas tendem a ser tomadas apenas por um estrato da coletividade. Por isso, a democracia precisa ser preservada e desenvolvida para além das garantias elementares ou meramente formais de participação.
A inclusão daqueles que se encontram à margem dos processos de decisão política deve ser um objetivo permanente.